Página Alma Pampeana 17/07/2014

ADÁGIOS
* Alegre que nem paisano à meia guampa (paisano é expressão correntina e quer dizer patrício, amigo, camarada. Meia-guampa é expressão gauchesca, que significa ébrio).

* Amarga como erva caúna (a palavra caúna é tupi e significa amarga; expressão de quem está desabafando suas dores).

* Causar alvoroço que nem mata-mosquito em convento.

DICIONÁRIO GAÚCHO
*AMADRINHADOR, v. Exercer a função de amadrinhador. Acompanhar o domador, montado em cavalo manso, para evitar que o potro enverede por lugares perigosos.

* AMANONCIAR, v. Amansar um cavalo sem o montar. Domesticar um animal, tirar-lhe as manhas por meios brandos, sem o molestar. Fazer carinho com as mãos nos potros que estão sendo domados a fim de tirar-lhes as cócegas.
* AMANSAR O MATE, expr. Tomar os primeiros mates, em geral muito amargos.

ESTÂNCIA GAÚCHA
Estância" quer dizer "lugar de estar", como as estâncias hidrominerais, tão populares, hoje. Mas é também o lugar onde se cria gado para vender, ou seja, trata-se de uma empresa comercial.     Foi o padre jesuíta quem criou a estância gaúcha. Preocupado com a crise de fome que assolava os povos, em 1634 o Padre Cristóbal de Mendonza trouxe mil cabeças vacuns desde a Argentina, gado esse que foi distribuído em "estâncias" para o abastecimento dos povos. Alguns ficavam distantes das Missões, como a de Santa Tecla, hoje no município de Bagé. Para cuidar das estâncias, os jesuítas treinaram a cavalo índios "vaqueros", que logo iriam se somar aquele denso caldo humano do qual vai brotar o Gaúcho.
    Expulsos os jesuítas, muito gado ficou por aqui e o branco - espanhol ou português - foi se adonando de tudo, organizando as suas próprias estâncias. E já registrando "marca" (que era enorme) e "sinal" (cortes específicos nas orelhas dos animais), como persiste até hoje. 
    Essas primeiras estâncias tinham como limites os meramente naturais - rios, montes, matos - mas cada um sabia o que era seu e até uma ninhada de tatus assinalados era respeitada escrupulosamente pelos vizinhos... Ademais, os jesuítas muitas vezes mandavam os índios escavar extensos valos, para delimitar áreas de campo, como os que existem ainda hoje na estância Guabijutujá, em Tupanciretã. Depois, com os escravos, vieram as cercas de pedra, existentes ainda hoje, que os serranos chamam de "taipa". Na metade do século XIX aparece a cerca de arame, fazendo a divisa de potreiros, invernadas e postos. 
    A estância gaúcha tradicional se compõe das Casas, onde mora o proprietário com sua família, em cujos cômodos gente estranha não põe os pés, a não ser a criadagem "de dentro". O galpão, ou galpões, é exclusividade da peonada, onde cada peão em o seu catre, tarimba ou cama (hoje em dia, beliche) e aonde sempre arde um fogo-de-chão para a roda do mate ou algum churrasquito meio galopeado, quem sabe até de charque. O galpão é um reduto masculino. Mulheres que nasceram e se criaram nas Casas da estância morrem de velhas sem conhecer o interior do galpão... 
    A Casa do Capataz é onde este vive com a família, a meio termo entre as Casas da estância e os galpões. As mangueiras, que podem ser de pedra, de arame, de tábua ou de varejão (troncos) e que incluem a mangueira grande, o curro (ou seringa), o tronco e os bretes, são os currais para encerrar o gado em determinados trabalhos. E, quase sempre, o banheiro, que é grande para o gado (vacuns) e pequeno para o rebanho (ovinos), onde se banham os animais com remédios contra a sarna, o carrapato, etc... 
    Junto as Casas, o potreiro da frente, quase sempre despovoado de animais. Atrás do galpão, o piquete, onde se soltam os animais de trabalho ou do "munício" (os que vão ser abatidos para o consumo da estância). Depois, as invernadas, quase todas com nome: Invernada da Tapera, do    Coqueiro, do Cerro, doValo. Nessas invernadas se cuida do gado e numa delas está o parador do rodeio, ponto de reunião da animalada para trabalhos especiais, como aparte e coisas assim. 
    Longe das Casas, os postos, que só existem nas estâncias grandes. São o que o nome diz, cuidados por um Posteiro, que mora num rancho com a família. Junto aos matos, ou rio, vive algum Agregado, gente amiga do proprietário que obteve licença para erguer um rancho nos campos deste e tem alguma vaquinha de leite, uma hortinha, galinhas e porcos. 
    Hortas e lavouras não são comuns, ou fartas, na estância. O gaúcho sempre foi um comedor de carne. Planta, quando muito, alguma batata-doce, milho, abóbora e melancia. E só. 
    O pessoal da estância é o Patrão (e sua família), a gente das Casas (a criadagem, inclusive a cozinheira), o Capataz (e sua família), a peonada, os posteiros e agregados. De primeiro havia também o Maiodormo (administrador) e o Sota-Capataz (logo abaixo do capataz na hierarquia campeira). 
    Há trabalhadores especializados que a estância tem ou não. Muitas vezes suas tarefas são deferidas à peonada. São eles: carreteiro, domador, alambrador, tropeiro, peão caseiro ou peão patieiro, poceiro, compositor, carroceiro, lavoureiro, chacareiro, guasqueiro ou trançador. Quando não há alguém habilitado para esses trabalhos, na estância, chama-se alguém. O peão comum é o mensual e o contratado por jornada é o "peão por dia".


ACONTECE
ELEIÇÃO NA 12ª REGIÃO TRADICIONALISTA – MTG – SC.

Será realizada no dia 09 de agosto no município de Xanxere juntamente com 82º encontro de patrões. Duas chapas foram registradas para a coordenadoria campeira e coordenadoria artística.
As candidaturas são as seguintes:
Coordenadoria Campeira:
* Coordenador – Eurico Mildeberger (CTG Espelho da Tradição)Vice-Coordenador Luiz Carlos Paniz Moreira também do CTG Espelho da Trdição:
* Coordenador: Leonir Luiz Barreta (CTG Querência Farroupilha de Abelardo Luz) e Vice Coordenador Marcelo Borges )CTG Marca da Ferradura – Xaxim).

Coordenadoria da Artísitica:
* Coordenadora Elis Regina Burgel (CTG Herança Gaúcha) e Vice Coordenadora Kaline Alves (CTG Vaqueanos D´Oeste).
* Coordenadora Juiiana de Miranda (CTG Coxilha do Quero Quero) e Vice Coordenador Sandro Arruda (CTG Vaqueanos D´Oeste),

ACONTECIDO
* 25/07 Morre Gaspar Silveira Martins, político, faleceu em Montevidéu – Uruguai.
* 25/07/1824 – Imigração Italiana – chegam os primeiros imigrantes no bergatim São João Protector.

CULIÁRIA CAMPEIRA
QUARTO DE OVELHA RECHEADO
Ingredientes: 01 quarto de ovelha ou capão adulto, miúdos de animal carneado (coração, rins, língua), ½ kg de linguiça, 02 ovos cozidos, 01 molho de tempero, 01 cebola média, 01 pimentão, 03 dentes de alho e manjerona.
Preparação: Carnear a ovelha ou capão, ao estilo campeiro, destacando o “quarto” na junta, defendendo o osso do alcatre.
Com uma faca fina e afiada, desossar o quarto, procurando rodear o osso para não cortar a carne. Depois de desossado, retirar a carne do interior, aumentando a cavidade interna, de maneira que as paredes fiquem com uma espessura uniforme de dois dedos.
Costurar a extremidade inferior (garrão).
Cozinhar em salmoura, os coração, os rins e a língua. Depois de bem cozido, cortar os miúdos em guisado pequeno.
Tirar a pele da linguiça e desmanchar a massa, colocando a fritar. Picar miúdo os temperos (cebola, pimentão, alho, manjerona, tempero verde) e fritar com a linguiça. Misturar os temperos, o guisado dos miúdos e a massa da linguiça.
Salgar o “quarto” por fora. Encher a cavidade do “quarto” com a mistura das carnes com os temperos. Socar bem o recheio, de maneira a reconstituir a forma original do “quarto”. Costurar com linha grossa a abertura superior. Passar um pouco de manteiga ou margarina por fora do “quarto”. Assar em forno, no espeto ou mesmo na grelha.